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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Mais essa, São Silvestre?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 14/09/11 às 19:35 na(s) categoria(s) fail, historias de corrida, provas
Vamos falar de São Silvestre? Eu admito que estava enrolando para entrar no tema. Porque ou você discorda veementemente da nova mudança e explica detalhadamente porque ou concorda e aí fala um pouco menos --já notaram como ser contra gera muuuuito mais conteúdo do que ser a favor?

Pois bem, primeiro vamos recapitular essas mudanças. Era uma vez uma prova chamada São Silvestre, que nasceu laáááá na década de 20 naquela época elegante em que o mundo ainda era em preto e branco. Essa prova, realizada no último dia do ano, passou por várias mudanças ao longo dos tempos e até sobreviveu a uma guerra (a II Guerra Mundial). Será que ela sobrevive pós anos 2000 ou acaba com o mundo lá por 2012?

Para mim, a pior mudança foi a que poucas pessoas acham tão terrível assim: a do horário. Porque terminar a corrida a meia-noite é um marco da minha infância e fase Pollyana Moça. O ano novo só chegava depois da São Silvestre terminar e o aniversário do meu pai passar. As doze badaladas chegavam com a TV ligada na corrida. Muuuuuito mais legal do que correr naquele sol de rachar coco das 15h em pleno verão, o asfalto derretendo e soltando aquele bafo quente em você.

Eu sei, corrida a noite significa que um monte de gente vai trabalhar no reveillon. Tem a segurança, os perigos do escuro, a iluminação, a festa da virada e sei lá mil coisas. EU SEI. Mas eu ainda preferia a corrida que literalmente fechava o ano. Me deixem ser saudosista vai.

Ultimamente as mudanças tem sido daquele tipo que deixa um gosto amargo na alma de qualquer corredor. Tipo entregar a medalha antes da prova. Se não tem a menor condição de entregar no final, desencana da medalha. Ou então me explica qual o sentido dela. Porque para mim, ganhar a medalha antes não tem nenhum.

Pessoalmente, gosto muito mais dos números de peito do que das medalhas, então por mim baixa o preço da inscrição e tira a coisinha de pendurar no porta-medalhas. Ou não faz onda e entrega no final mesmo. Pode ter ficado ÓTEMO para a organização e o pessoal da logística da prova, mas para o corredor foi um desrespeito ao sentido de EXISTIR uma medalha, a não ser que passemos a ver a dita cuja como um brinde a mais do kit, tipo a viseira, os papeizinhos de propagandinhas e os sachês engraçados (tipo café, suco, protetor solar e até shampoo já veio).

Mas a cereja do bolo --destacando que eu não gosto de cereja-- foi essa última mudança, que é a prova terminar no Ibirapuera. De novo, o pessoal da organização & logística suspira feliz. E o corredor? Esse, desde que continue se inscrevendo na prova, tudo bem.

Terminar na Av. Paulista fazia parte do lado mítico da São Silvestre. Terminar ali, no meio da muvuca, no meio da festa, era essa mesmo a idéia. Não era acabar em um local sossegado, silencioso e tranquilo (tá, talvez nem tão silencioso e tranquilo assim). É uma prova que marca o reveillon gente! Tem que ter FESTA.

Novamente, eu sei, é o pesadelo da logística. Eu juro que não odeio os profissionais da organização. Sei que prova dá um trabalho dos demônios, a lei de murphy impera, dá mil tilts e pepinos e a culpa é da CET. Mas tem um limite do quanto dá para descaracterizar a prova.

Porque se for seguir apenas o raciocínio da logistica, o ideal mesmo é que a prova acontecesse no dia 30 de dezembro e não no 31. E talvez  fosse melhor que acontecesse em um lugar mais tranquilo, talvez dentro da USP, que além de tudo é mais seguro. Do ponto de vista da logística faria o maior sentido. Seria um sonho. Do meu, seria um pesadelo. E seria outra prova. Para a São Silvestre, seria péssimo, assim como para a comunidade do povo que corre na rua.

Ou seja, não gostei. Adoro o Ibira, mas ali eu me sinto terminando mais uma prova e não A Famosa São Silvestre. Lamento deveras pelo povo que nunca vai conhecer a emoção de terminar no meio do fuzuê. Que não vai saber o que é subir a Brigadeiro quase na boca da chegada. Para mim, o atrativo de participar da prova caiu vertiginosamente. Vou continuar assistindo, não vou negar. Porque adorei correr essa prova e tenho um carinho especial por ela. Mas que perdeu a graça, perdeu.

Claro que se eu fosse absolutamente contra mudanças na prova, deveria também ser contra a participação feminina, infantil e de estrangeiros na São SIlvestre. Mudanças podem ser boas sim, mesmo quando a gente estranha no começo. Mas pessoas, cadê aquele animal em extinção, o tal do bom senso?

Se for para tirar tudo o que caracteriza a São Silvestre como tal, vamos logo mudar de nome. Eu sugiro mudar para Corrida de São Longuinho, que é um santo tão bacana que gosta de pulinhos. Essa prova poderia terminar até no lago do Ibirapuera ao lado do não menos mítico crocodilo e dessa eu super topo participar. Vamos lançar a idéia?



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