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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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CorredoraZen fez: teste ergoespirométrico SportsLab


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 25/01/12 às 14:52 na(s) categoria(s) dicas, produtos, review, saude
Pessoas, bateu aquele momento Check List do Cruce. Aquele onde você descobre que não tem pilha na sua lanterna de cabeça, que você não testou se o colchão inflável infla mesmo e que falta o teste ergoespirométrico. Oi? Teste? Que teste?

Pois é, este ano, além do atestado médico (que já era obrigatório nas edições anteriores da prova) é preciso levar um teste ergométrico --o ergoespirométrico não é obrigatório, mas já que você vai ter que fazer, faz direito e faz o mais completo, né não?

Pois pessoas queridas, eu preciso confessar uma coisa. Eu não estava assim suuuper animada para fazer o teste. Para ser absolutamente sincericida (sinceridade suicida), quando vi que era obrigatório MESMO o que pensei foi "ai que saco". Não é bonito, eu sei, mas no meio da correria no trabalho (afinal eu vou ficar fora esses dias da prova), do check list das coisas, ainda ter que marcar o exame parecia algo bem mala de fazer.

Mas eu fui e fiz e tenho que confessar outra coisa: eu a-do-rei. Sério. Achei muuuuito mais interessante do que eu me lembrava --porque, já que estamos num Momento Confessionário, o último que eu fiz foi quando comecei a correr, há milênios atrás, e não lembro absolutamente nada dele, só que tinha que correr na esteira e no final eu estava liberada e podia começar a praticar corrida. Claro que eu perdi esse teste há muito tempo e não faço idéia de qual eram meus resultados. Assim, uma pessoa super responsável.

Mas, todavia, contudo, entretante, como todo mundo merece uma 2ª chance, fui para o teste disposta a entendê-lo --ou seja, fui preparada para usar toda minha formação jornalística para atormentar os testadores com perguntas. E nesse ponto, a SportsLab foi o lugar perfeito para isso. Porque a SportsLab tem o Rogerio. E o Rogério (vulgo Dr. Rogério Neves, médico fisiologista e especialista em medicina do esporte) não só tem paciência de responder perguntelhas como ainda se entusiasma e explica resultados desenhando gráficos no papel. Mas deixa eu contar como é este teste e porque agora eu virei fã dele.

A 1ª coisa que acontece quando você chega e coloca seu outfit de corrida/teste é ser pesado e medido e ter que responder questionários. É aí também que contece a checagem dos seus níveis de hidratação, o que é feito via bioimpedância elétrica, ou seja, colocam eletrodos em você e o aparelho mede a quantidade de água no seu corpo. Demora tipo 15 segundos. E não dói.

Aí já começaram minhas descobertas. Porque ao olhar meu teste, o dr. Rogério disse "você não sua muito né?". Gente, pensei, ele é meio vidente. Vou perguntar os números da megasena para ele já. Mas claro que não era magia, era tecnologia. Porque aprendi que, apesar da minha hidratação estar bem OK e dentro do normal, a distribuição da água dentro e fora das células não estava. Aprendi que a água do nosso corpo é dividia em água intracelular e extracelular. Pois esta extracelular minha é baixa. E daí?

E daí que é daí que vem o suor. E o suor é que dá aquela regulada na temperatura quando a gente corre, esfria o corpo e evita o hiperaquecimento que faz a gente parar na hora. Se o reservatório de onde o suor deveria vir já está meio vazio, o corpo espertamente economiza, e não deixa você suar muito. Ou seja, a minha regulagem de temperatura não está boa, e isso pode me fazer diminuir e ter que parar antes do que poderia.

E tem cura? Tem: beber mais água durante os treinos. Eu já bebo, mas o teste te fala quanto seria o ideal de beber por hora de treino --no meu caso 450ml a 600ml (lembrando que isso varia de pessoa para pessoa). O que eu quero ver é como fazer para tomar tudo isso num dia de tiro, que é quando qualquer aguinha a mais chacoalha no estômago e conversa com você até o final do treino.

Mas voltando para o teste, depois de ser medido, pesado e analisado, você está liberado para ir para a esteira e correr. Se fosse só isso estava ÓTEMO, o problema é que tem mais uns equipamentinhos que vão junto com você. Primeiro os eletrodos, que para mim não incomodaram nada, nem lembrava que eles estavam ali. Aí vem a máscara, que vamos combinar, não é exatamente algo gostoso de se usar. Cobre toda a sua boca e você tem que encaixar segurando com os dentes. Bonito não é, como vocês podem comprovar nas fotos. Mas aí vem o que foi o pior para mim: um negocinho que fecha seu nariz, tipo as meninas do nado sincronizado.

O problema é que eu basicamente respiro pelo nariz, então deu uma sensação de ahhhh-não-consigo-respirar-solta-meu-nariz. Mas claro que eu não dei pití nenhum e depois de um tempo melhorou bem, apesar que passar não passou. Mas não mata ninguém nem traumatiza.



Aí começa o teste ergoespirométrico em si, que vai avaliar sua potência aeróbica / cardiopulmonar e sua aptidão física. Você começa andando, depois começa a correr e vai aumentando a velocidade. Quando você está morrendo, ele coloca uma inclinação na esteira e aí sim, você tem certeza que vai morrer. E aí tem mais uns 15 segundos que parecem durar eternamente. E quando passam você acha que não foi tão terrível assim e daria para ter aguentado mais, mas aí é tarde e o teste já acabou.

Aí você relaxa num aparelinho delícia que faz uma ativação muscular e cirulatória --vulgo você recebe uma massagem relaxante vibratória nas pernas. Seria perfeito pós-treino de tiro. Fica a dica, Cris.

Depois disso tudo, senta que lá vem a história, é o momento em que você entende seu teste, que avaliou o comportamente do seu coração frente ao esforço --aliás, é aí que muitas vezes o teste conseguiria pegar potenciais problemas como arritmias, falta de oxigenênio etc e impedir que a pessoa descubra que tem algo assim do pior jeito, que é passando mal, desmaiando ou tendo um troço durante uma corrida.

Para quem corre, o mais legal é aprender sobre seus limiares e o VO2 máximo, que é o nosso potencial atlético (ou falta dele). O VO2 max. mede o consumo máximo de oxigênio, o quanto conseguimos gerar de energia, o que é medido em ml/kg/min. O que determina esse número, é uma junção de fatores: genética + condicionamento físico + constituição física. E dá para melhorar seu resultado?

Dá! Claro que você vai ter um teto, um limitador que é a genética, mas nos outros 2 fatores dá para mexer bem --perdendo as bóias e emagrecendo e treinando mais, melhorando seu condicionamento. Eu, que descobri que não sou uma atleta de alto nível (ah vá), tenho pelo menos uma esperança de melhora que nem é pouca: segundo o Rogério, dá para melhorar mais ou menos 20%. Não sei se no meu caso dá mesmo ou se ele foi bondoso porque eu fiquei decepcionada de não ser um Haile Gebrselassie adormecido num corpo de Corredora Zen.

Mas ainda não acabou. Porque aí aprendi sobre o limiares, que são os momentos durante sua corrida acima das quais começa o acúmulo de ácido lático no sangue e no músculo. O teste determina seus 2 limiares: o L1, ou 1º limiar, é seu liminar aeróbio e o L2, ou 2º limiar, é o limiar anaeróbio. Einh?

O que importa aí é que você aprende qual é a velocidade onde você deve fazer seus regenerativos e aquecimentos --que é abaixo do L1--, qual a faixa de velocidade onde você melhor trabalha endurance e consequentemente melhora resistência --entre o L1 e o L2-- e onde você precisa fazer seus treinos de tiro, melhorar potência e velocidade --acima da L2.

O que fiquei feliz é que eu tenho trabalho certo nessas faixas. Mas eu também fiquei com a sensação de que eu poderia ir bem mais nos tiros --quero dizer, não é bem mais rápido, mas que eu poderia forçar mais, ficar mais perto do meu liminar final. Porque a sensação que tive no teste eu quase nunca tenho nos tiros, o que talvez signifique que eu tenho ficado um pouco abaixo do desconforto que eu consigo aguentar.

Como sempre, é muito fácil na teoria do que na prática. Mas a verdade é que aprendi um bocado com esse teste e melhorei um pouco mais minha consciência corporal (que eu falei no post passado) e ainda descobri coisas que podem melhorar minha corrida.

Deu vontade de voltar --idealmente depois de ficar com corpitcho Bundchen e corrida Paula Radcliff-- e refazer o teste daqui um tempo e ver o que mudou. E se você está começando a correr, faça --e, ao contrário de mim, GUARDE o teste. Se morar em São Paulo, vai lá na SportsLab e pede para fazer o teste com o Rogério. E encham ele de perguntas por mim, afinal os leitores desses blog gostam de corrida e de uma boa conversa.
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