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Dicas de treinamento

Treinamento de corrida não é receita de bolo!


Por Prof. Nelson Evêncio | 07/04/2011 - Atualizada às 16:00

As planilhas devem sempre ser individuais
As planilhas devem sempre ser individuais
Foto: Arte/ Webrun
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O primeiro princípio básico do treinamento desportivo, por tanto uma das primeiras coisas que se aprende quando estudado o assunto, é o princípio da individualidade biológica. Trata-se da variabilidade ou diferença entre indivíduos da mesma espécie. Traduzindo, todos nós somos diferentes, embora pertençamos à mesma espécie. E , se é sabido que todos nós somos diferentes, não faz sentido que o treino que façamos não seja elaborado de acordo com nossas características individuais, muito menos que façamos vários o mesmo treino.

As diferenças entre cada indivíduo estão relacionadas a vários fatores como: peso, altura, sexo, idade, porcentual de gordura, predomínio de tais fibras musculares, freqüência cardíaca, Vo2 máximo e outras mais. Dividimos estas características entre Genótipo, que são as herdadas geneticamente, e Fenótipo, que são as adquiridas por influência do meio. O predomínio de determinadas fibras musculares no organismo, por exemplo, é definida pelo genótipo (herdada dos pais).

Já o VO2 máximo, também tem seu limite estabelecido geneticamente, mas em geral pode e é modificado de acordo com os estímulos de treinamento, pelo fenótipo. Conforme o indivíduo treina ou não, promove alterações em seu VO2 máximo.

Decidi escrever sobre este assunto, pois o que temos visto ultimamente é uma banalização absurda do treinamento de corrida. Pessoas prescrevendo treinamento de corrida coletivos em revistas, jornais e sites, como se fosse uma receita de bolo, sem considerar o básico que são as diferenças individuais.

Planilhas Coletivas - Um dia destes fui convidado a escrever para uma publicação de corrida, que me pedia para falar sobre treinamento para provas de 10 quilômetros e que prescrevesse uma planilha para um corredor que almejasse completar a prova abaixo de 45 minutos. Ora, a maioria dos colegas jornalistas de revistas já conhece de anos minha visão sobre prescrever treinamento sem que haja um personagem específico. Para ser bem sincero, faço questão de dizer que não treino ninguém à distância, sem que o veja correndo pelo menos uma vez por semana.

Costumo até dispensar aqueles corredores que não frequentam os treinos, mesmo que paguem em dia, e nego dezenas de convites para treinar pessoas de outros estados, que não consiga ver durante os treinos.

Aceitei responder às muitas perguntas do jornalista e publicar a planilha de um aluno de nosso grupo, desde que na publicação ficasse muito claro que aquela planilha foi elaborada para ele e que fossem descritas várias de suas características como: profissão, objetivo, tempo, fase do treinamento, tempos em outras provas, limiares ventilatórios , etc. A ideia era mostrar ao leitor a complexidade de um treinamento sério e nunca prescrever uma receita para que os que almejassem correr naquele tempo seguissem.

Para minha grande surpresa, a revista não colocou os dados e disse que aquele era um treinamento por mim recomendado às pessoas que quisessem seguir e fazer o tempo. Errado. Treinamento de corrida não é receita de bolo.

Prof. Nelson Evêncio


Consultor Webrun da seção Dicas de Treinamento. Pós-Graduado em Treinamento Desportivo (CREF n.o 016048-SP), IAAF Nível 3 - CBAT n.o 525. Sócio-fundador e atual presidente da ATC (Associação de Treinadores de Corrida) e Titular da Nelson Evêncio Assessoria Esportiva.

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