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Atletas de alto nível devem ser testados por seus treinadores


Por Carlos Alberto Cavalheiro | 09/06/2009 - Atualizada às 11:58

A pista pode ser um local de testes
A pista pode ser um local de testes
Foto: Divulgação/ Stock.Xchng
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As grandes performances dos atletas de hoje são resultados de uma complexa mistura de diversos fatores. Talvez o fator mais determinante para o sucesso no atletismo é o genético, que exclui não somente as suas características antropométricas, cardiovasculares, proporção de tipos de fibras musculares como também a capacidade de melhora com o próprio treinamento (treinabilidade).

Outro fator conhecido, que tem um profundo impacto no resultado final do atleta, é o volume e a intensidade de treinamento que precede uma competição. Finalmente, o resultado do atleta pode também ser influenciado pela saúde e pelo nível nutricional dele.

Embora os cientistas do esporte, como nós treinadores, não podem fazer muita coisa para alterar o que já vem determinado pela hereditariedade, podemos sugerir estratégias de treinamento para maximiza-la. Para isso, nós podemos utilizar testes para monitorar o progresso que está sendo alcançado e os resultados podem ser obtidos através de um programa selecionado e administrado em testes de laboratório ou em testes de campo.

Por isso devemos considerar o porquê, o que, quando, onde e como testar esses atletas. Vou explicar cada um desses tópicos abaixo:

Por que testar?

Para monitorar a saúde do atleta - Um teste corretamente ministrado pode e deve fornecer importantes informações sobre a saúde do atleta (controle médico). Sabemos que o treinamento de alto nível sempre acarreta um estresse fisiológico, pois estamos sempre tentando ultrapassar o nosso limite, entretanto, devemos nos assegurar que o atleta está livre de doenças que podem interferir no resultado que queremos alcançar.

Para identificar os pontos fortes e fracos desse atleta - Esse tópico permite ao treinador planejar de forma otimizada as planilhas de treino, priorizando os pontos fortes e trabalhando os pontos fracos, para que não interfiram no resultado final desejado.

Para a identificação de talentos - É importante fazer o teste nas diferentes idades, tanto cronológica como biológica, para que possamos detectar o desenvolvimento, ou especialização precoce, como também se temos um atleta em potencial para o futuro.

Para selecionar corretamente o evento ou prova alvo - Devemos utilizar testes apropriados para as diversas provas ou modalidades, não esquecendo de comparar o resultado com outros atletas da mesma idade.

Para planejar o treinamento - o planejamento deve ser realizado sempre no início de uma fase ou mesociclo de treino.

Evolução do treinamento - No final de um período de treino também deve ser realizados testes para acompanhar a evolução do atleta.

Motivação / Desenvolvimento do espírito competitivo - Determinar objetivos a ser alcançados ou melhorados. Isso muitas vezes contribui para melhorar o espírito competitivo e a garra de nossos atletas.

O que testar?

Teste antropométrico: como altura, peso, composição corporal, entre outros;

Teste psicológico: ver, por exemplo, personalidade e níveis de disposição ao treinamento diário;

Teste médico dentista, patologista, sangue, urina, fezes ginecologista, etc;

Teste físico: como o de força, flexibilidade, velocidade, resistência, etc;

Teste técnico: técnico geral, técnico específico e tático, por exemplo;

Teste para prognóstico de parâmetros: normas de performance e treinamento.

Carlos Alberto Cavalheiro


Consultor de alta performance do Webrun. Cavalheiro é PhD em Fisiologia do Esporte (EUA), Mestre em Educação Física na Área de Biomecânica do Esporte (UFRJ) e Licenciado em Educação Física. Já participou dos Jogos Olímpicos de 1988 (Coréia), 1992 (Espanha), 1996 (Atlanta), 2004 (Atenas) como treinador da equipe brasileira e dos Jogos Olímpicos de 2000 (Sydney), como treinador da equipe do Uruguai.

No seu currículo há vários mundiais, pan-americanos. Foi responsável pelo treinamento de Ronaldo da Costa (recorde mundial da maratona) e de Robson Caetano (recorde mundial dos 300m e medalha de bronze olímpica nos 200m e 4x100).

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