Qual a altitude ideal para se treinar? E em que momento da periodização? Devemos considerar importantes aspectos ao planejar uma temporada de treinamento em altitude como, por exemplo, o local e sua época, que devem ser escolhidos por critérios específicos.
A aclimatação a altitude depende de uma série de mecanismos fisiológicos, basicamente pela descarga decrescente de oxigênio nos tecidos periféricos. Para a maioria dos indivíduos, essas adaptações fisiológicas acontecem entre altitudes de 2.200 e 2.500 metros, embora tenhamos informações de melhora da resistência em altitudes de até 1.250 metros.
Acima dos 2.500 metros é provável que tais adaptações sejam maiores, porém, em altitudes de até 4.000 metros, a hipoxia resulta em possível perda de peso e redução na massa muscular. Uma altitude entre 2.500 a 2.800 metros oferece uma maximização no processo de aclimatação e minimiza as possíveis complicações colaterais (Levine & Straygundersen, 1999).
Na prática, o treinamento em altitude normalmente é conduzido em alturas moderadas, entre 1.800 e 2.400 metros. O treinador de fundo Bruce Tulloch (Alford, 1994) destaca que seus atletas geralmente chegam até 2.150 metros e realizam alguns treinos em altitudes superiores e que nunca descem a menos de 1.850 metros. O centro de treinamento de altitude de Font Romeu (França) tem exatamente 1.850 metros e outros centros ao redor do mundo são: St. Moritz (Suíça), Sestriere (Itália), Belmeken (Bulgária), Albuquerque (Novo México/EUA), Flagstaff (Arizona/EUA), Gunnison, Alamosa e Boulder (Colodado/EUA).
Durante os meses de inverno, Nairobi (Quênia), Addis Ababa (Etiópia), África do Sul e cidade do México são alternativas populares para os campings de treinamento em altitude, principalmente para atletas Europeus (Baumann, 1994; Popov, 1994). De acordo com Levine & Straygundersen, a sessão de trabalho intervalada deveria ser realizada mais próximo possível do nível do mar, de preferência abaixo de 1.500 metros, para maximizar a velocidade de corrida e a intensidade do treinamento. Entretanto, alguns fatores adicionais merecem ser considerados quando se escolhe o treinamento de altitude.
Martin (1994) destaca que dependendo da residência habitual do atleta, uma altitude em particular pode ou não provocar as adaptações desejadas. Como exemplo, os atletas da cidade do México, que não consideram seus 2.300 metros como altitude, optando em subir a 3.500 metros nas colinas montanhosas nos arredores de Toluca para receber um estímulo em altitude. Por outro lado, os atletas que vivem nas cidades litorâneas, encontram um grande desafio no treinamento desenvolvido na cidade do México.
Ricardo D´Angelo
Consultor Webrun da seção Alta Performance. Doutorando em Biodinâmica do Movimento e Esporte pela UNICAMP e Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP. Também é treinador coordenador do clube de atletismo BM&FBOVESPA, treinador Nacional de Fundo (CBAt) e treinador Nível IV (IAAF).
Já foi treinador-chefe das Seleções Brasileiras nos Campeonatos Mundiais de Edmonton (2001), Helsinque (2005), Osaka (2007); nos Jogos Pan Americanos do Rio (2007) e Jogos Olímpicos de Pequim (2008). No seu currículo há várias convocações como, por exemplo, Campeonatos Mundiais de Cross Country, Meia Maratona, Campeonatos Sul Americanos, Campeonatos Ibero Americanos, Campeonatos Mundiais e Pan-americanos de Juvenis.
Também é treinador do maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, que foi bicampeão Pan-americano (Winnipeg e Santo Domingo) e Medalha de Bronze em Atenas (2004), entre outros.